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sexta-feira, 10 de julho de 2009

Sobre ato de ensinar e o estudo das neurociências



Uma das idéias que sempre reforço com meus alunos, seja no ensino superior ou nos cursos de formação de professores no ensino médio, e a de que nos professores somos o grupo de profissionais que mais trabalha com o cérebro ao mesmo tempo em que somos um dos grupos profissionais que menos compreende o assunto. Infelizmente, um rápido olhar direcionado aos cursos de Pedagogia, as diversas Licenciaturas ou no ensino médio para os cursos de formação de professores nos mostra a carência de disciplinas que tenham como foco as neurociências e seu papel no processo de ensino-aprendizagem. Atualmente, acredito que um profissional da educação ao se deparar com estudos oriundos dos vários campos da neurociência, tem a possibilidade de adquirir uma nova visão acerca da forma como desenvolve suas atividades rotineiras. Saber como funciona o cérebro, como são processadas as informações, que partes são responsáveis por determinadas atividades e como o professor pode auxiliar na ampliação de suas potencialidades são apenas alguns dos elementos que podem e devem ser estudados pelos profissionais da educação. Notem que a idéia aqui não é fazer da neurociência uma chave que abre todas as portas para as soluções dos problemas que a Educação e seus atores, pais e alunos enfrentam hoje. Mas sim perceber que a partir deste estudo podemos sim obter algumas respostas, seja no campo da educação popular com toda a sua diversidade, seja na educação a distância, passando pela educação presencial formal ou mesmo a educação desenvolvida em espaços não escolares. Acredito hoje que a neurociência é uma das ferramentas das quais o professor não pode deixar de carregar em sua caixa.

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2009

alimentando o cérebro


Consideremos o tema da alimentação. Atualmente, acho difícil encontrar algum especialista ou mesmo leigo que seja contra a idéia bastante difundida de que uma alimentação saudável auxilia no desenvolvimento da função regenerativa do corpo humano. Mesmo antes das pesquisas científicas comprovarem ou não, podemos identificar inúmeras receitas de chás, sucos e remédios populares elaborados a partir dos mais variados ingredientes.
Em todo mundo é possível perceber, seja pela difusão de notícias, seja pelo aumento das publicações do gênero, de um considerável aumento no interesse por esse tipo de pesquisa. Nutricionistas, médicos e leigos do mundo todo tem partilhado informações referentes à forma como determinados alimentos auxiliam no funcionamento do corpo humano. Como o nosso tema principal é o funcionamento do cérebro, nesta postagem falaremos um pouco sobre algumas descobertas ligadas ao tema da alimentação para um cérebro saudável.
Sabemos que ao nascer o cérebro humano é como uma esponja que absorve todo tipo de estímulo apresentado ao seu redor. Estes estímulos auxiliam na criação e desenvolvimento de complexas redes neurais. Com o passar dos anos e dependendo do tipo de vida que levamos, vemos cada vez mais reduzida a capacidade de funcionamento do corpo.
Hábitos simples, como exercícios físicos e mentais podem minimizar ou mesmo reverter em alguns casos os efeitos do desgaste causado pela maturidade do corpo humano. Mas a cada dia o agente nutricional tem ganhado mais espaço neste debate. Diversas pesquisas tem sido realizadas sobre a função dos alimentos no estímulo da memória, da criatividade, do bom humos e da inteligência.

Pesquisas no Canadá, EUA, entre outros países apontam para uma possível associação entre a falta de nutrientes relacionados ao aparecimento de determinadas doenças como o mal de Parkinson e Alzheimer. Estes pesquisadores crêem que a insuficiência de nutrientes pode ser a causa de alguns distúrbios cerebrais e comportamentais. O que sabemos é que a falta de certos nutrientes no cérebro tem efeitos sobre a capacidade cognitiva do indivíduo e ainda podem gerar doenças que degeneram os neurotransmissores, contribuindo para o surgimento de estados depressivos, por exemplo. Sem contar os efeitos diretos nos processos de aprendizagem e memorização.

Sobre nutrientes

Mantenha uma alimentação saudável:

Ácidos graxos ômega-3, vitaminas B6, B12 e ácido fólico são alguns dos nutrientes com função reparadora e preventiva das células neurológicas.

Vitaminas E, C ou selênio, encontradas principalmente em alimentos de origem vegetal, possuem propriedades mais combativas dos radicais livres que reduzem a velocidade com que nossos neurônios produzem energia, comprometendo sua atuação.

Mas nada de ficar só comendo grãos. Especialistas enfatizam que uma dieta balanceada é a melhor maneira de equilibrar as necessidades químicas que o corpo possui para um bom funcionamento.

Algumas fontes importantes:

Leite: fonte de triptofano, um aminoácido. Consumido em conjunto com certos carboidratos, como, por exemplo, cereais ou pão integral, contribui para o aumento da serotonina. A serotonina é uma substância relacionada às alterações emocionais e um importante neurotransmissor que agiliza os processos cerebrais. Essa combinação de aminoácidos associada com carboidratos leves auxilia no alívio de dores e melhora o sono segundo alguns especialistas, quando utilizado pouco antes de dormir. Já o leite materno dentre as muitas qualidades, beneficia o desenvolvimento da cognição na infância, pela quantidade de ômega-3 e a duração de seus benefícios estende-se por toda a vida.

Frutas vermelhas: cerejas, morangos, melancia são bons exemplos. Auxiliam na manutenção da memória. Atuam diretamente no combate aos radicais livres, equilibrando e ampliando o potencial das funções mentais.

Vegetais verde-escuros: fonte de ácido fólico. Essa substância auxilia no funcionamento eficaz dos neurotransmissores. Como exemplos temos os brócolis, espinafre. Mas também encontramo-lo em feijões e carnes magras.

Peixes: Atum,, cavalinha, sardinha, salmão. São apenas alguns exemplos onde podemos encontrar uma carne rica em ômega-3. Essa substância é um óleo que age na membrana celular, dando a ela maior fluidez, o que facilita a comunicação entre neurotransmissores,, combatendo por exemplo a depressão em alguns casos. Outro alimento muito rico em ômega-3 é a linhaça.

Fibras: encontrados em alimentos integrais, frutas, levedo de cerveja e em nozes por exemplo. Em linhas gerais, estes alimentos auxiliam na saúde intestinal. Promovem uma melhor absorção dos nutrientes, dessa forma também cooperando para o funcionamento do cérebro.

Ovos: Assim como alguns legumes, os ovos são ricos em colina, um aminoácido, cuja deficiência está associada a doenças como o mal de Alzheimer. Mas não podemos esquecer que é preciso consumir ovos em quantidades regradas. Também facilita a produção de acetilcolina, importante para o bom funcionamento da memória.

Frutas e legumes amarelos: abóbora, cenoura, mamão, manga e pêssego, são alguns dos exemplos de alimentos que combatem o envelhecimento celular. Tudo isso graças às propriedades antioxidantes destes alimentos. A banana por sua vez contém vitamina B6 que também age na formação da serotonina.

Oleaginosas: castanhas, nozes, avelãs, amendoins são exemplos de vegetais óleos e gorduras utilizados pelo corpo como potentes antioxidantes. Além disso, contem ácido linolênico, rico em selênio e vitamina E.

Chás: o manganês, presente em muitos dos chás mais comuns e um mineral que constitui várias das enzimas encontradas em nosso corpo. Funcionam como antioxidantes, envolvem-se nos processos de metabolismo energético, tireóide e controle da glicose sangüínea.

Então boa alimentação!!!

sábado, 31 de janeiro de 2009

Hemisférios do cérebro disputam neurônios.

Getty Images


Assim como a maioria dos animais, os seres humanos possuem um desequilíbrio no cérebro, sendo um dos lados mais ativo que o outro. Esta assimetria no funcionamento cerebral varia de pessoa para pessoa e pode ter causas hereditárias ou estar relacionado à atividade comportamental do indivíduo. As informações são do site Live Science.
Cientistas britânicos, autores da descoberta, afirmam que os neurônios, as células cerebrais, migram a distâncias longas entre um hemisfério e o outro, reforçando o lado mais "utilizado".
Segundo os pesquisadores, os hemisférios "brigariam" entre si para disputar os neurônios, o que geraria esse desequilíbrio. A batalha para atrair as células nervosas de um lado para outro seria regida por uma proteína denominada Fgf8. Ela seria responsável por atuar como um imã que estimularia a migração dos neurônios.
"O resultado aponta o porquê das diferenças nos tipos de neurônios do lado esquerdo e do direito do cérebro e quais exatamente suas ligações", disse o Stephen Wilson, professor da Universidade de Londres e um dos autores da pesquisa, publicada recentemente na revista Neuron.

Luta desleal

Como ambos os lados do cérebro contêm a proteína Fgf8, eles fazem uma espécie de "cabo-de-guerra" para atrair a maior quantidade de neurônios para si. Mas a luta seria injusta, pois o lado esquerdo do cérebro produziria maior quantidade desta proteína de atração.
A proteína Nodal seria a responsável pela "vitória" do hemisfério esquerdo na briga pelos neurônios. Presente do lado esquerdo, quando entra em contato com a proteína Fgf8, a combinação das duas provoca conexões que aceleram o desenvolvimento do hemisfério esquerdo, situação que poderia ajudar a defender a hipótese de que pessoas canhotas são mais inteligentes.

Diferenças humanas

Realizados com embriões de peixes, os testes não pretendiam explicar as razões do desenvolvimento de canhotos e destros, mas apenas buscavam traçar uma nova linha de investigação sobre o funcionamento cerebral nos dois hemisférios.
"A assimetria cerebral é muito mais complexa do que uma simples equação que explique a diferença entre esquerda e direita", declarou Wilson. "Quase todas as pessoas que escrevem com a mão direita processam a linguagem do lado esquerdo, assim como podem concentrar certas capacidades o do lado direito. Isto sugere que, embora não preferencialmente, certas habilidades podem ser desenvolvidas nos dois lados do cérebro, da mesma maneira como podem se processar separadamente", complementa.
Exemplo dessa equivalência seria o caso de pessoas que jogam bola com a perna direita, mas escrevem com a mão esquerda. "Algumas dessas assimetrias podem ser determinada geneticamente, assim como, às vezes, podem ser reforçadas através de hábitos de comportamento. Em outros casos, ainda, trata-se de uma capacidade aleatória do cérebro", explicou Wilson.

Equilíbrio natural

Em alguns casos, a atividade cerebral não predomina em apenas um dos hemisférios. O cérebro seria responsável por compartimentar-se automaticamente para maximizar a eficiência.
"Essa assimetria é essencial para a função cerebral, pois permite que os dois lados do cérebro sejam preparados para serem ativados, aumentando a sua capacidade de transformação e evitando situações de conflito entre os dois hemisférios", conclui Wilson.

Primeiros passos rumo ao cérebro sintético

©Yannis Ntousiopoulos/shutterstock



É difícil acreditar que algum dia alguém será capaz de construir um cérebro 100% sintético, mas cientistas americanos já começaram a dar os primeiros passos em direção a este distante objetivo. A idéia é fazer uma réplica funcional do órgão humano toda em nanotubos de carbono.“Nesse momento ainda não sabemos se isso será possível. Estamos avaliando a viabilidade”, diz a engenheira Alice Parker, da Universidade da Califórnia do Sul. Os desafios são colossais, mas não impediram a pesquisadora de conseguir um financiamento de cerca de 350 mil dólares da National Science Foundation, a principal agência de fomento à pesquisa dos Estados Unidos.Por enquanto os cientistas estão trabalhando com modelagem matemática e construindo pequenos arranjos de neurônios artificiais para tentar simular a plasticidade do cérebro humano, isto é, a capacidade de aprender e se adaptar a mudanças. Supondo que tudo dê certo, eles calculam que só por volta de 2022 seria possível construir, com a tecnologia atual, um protótipo simplificado de cérebro inteiro com 100 bilhões de neurônios – o que exigiria um espaço físico imenso. Outro problema já antevisto é o fornecimento de energia, já que, além de consumi-la em grande quantidade, o cérebro nunca desliga.Apesar de tudo, os pesquisadores vêem aí uma oportunidade para explorar as propriedades dos nanotubos de carbono nas neurociências. Segundo eles, esse é o material ideal para replicar o funcionamento cerebral, já que sua estrutura tridimensional permite conectividade em todas as direções. Além disso, é menos provável que uma prótese feita de carbono cause rejeição pelo organismo. Segundo Parker, por ora só há possibilidades, mas podem surgir novas descobertas e tecnologias nos próximos anos que encurtem esse caminho.


30 de janeiro de 2009 in viver mente e cérebro http://www2.uol.com.br/vivermente/noticias/primeiros_passos_rumo_ao_cerebro_sintetico.html